Chimaru Sai de Joaçaba, Conquista o Litoral e Excursiona pela Europa
Artista Chimaru conquista destaque após deixar Joaçaba, onde escreveu um capitulo importante na cultura do município.
Os ventos que moldam o tempo e sopraram durante o ano de 2022 arrastaram consigo algumas ideias e ideais que o músico Alexandre “Chimaru” Santos havia conquistado. O ciclo, iniciado há 30 anos, naquele Domingo de Páscoa, 19 de abril de 1992, quando Chimaru subiu pela primeira vez em um palco, anunciava que chegava ao fim.
E tal qual uma semente que pega carona no sopro da natureza e, voando para longe, desembarca em um novo solo, onde germina, cresce e produz seus frutos, havia chegado a hora de embarcar em novos sonhos e fincar raízes em um novo lugar.
Barra Velha, no litoral norte de Santa Catarina, foi o destino inicial escolhido. Convidado por sua irmã Rosane, que já era moradora da cidade, o incentivo veio em forma de palavras que, somadas às de amigos, exaltavam as oportunidades e as possibilidades de construir uma nova vida na região.
O temor de abandonar suas origens, a cidade onde havia vivido por 47 anos, distanciando-se da família e das amizades construídas durante todo esse tempo, foi aos poucos se dissipando. A constatação de que muitos amigos já haviam experimentado esta mudança, e o incentivo unânime para tecer uma nova história, persuadiu-o a arriscar.
A estrada era agora o único caminho a seguir. Violão, caixa de som, seu repertório e uma rica história construída em sua cidade eram suas munições para ir à luta.
O deslocamento da frente fria no Sul no mês de abril chegou agitando o mar e rebentando suas fortes ondas na praia. E foi nessa metamorfose de estações que Chimaru iniciou a transição de sua trajetória na arte.
A bordo do carro de sua irmã, começou a trilhar sua nova epopeia. Buscando reconstruir sua vida profissional, bateu de porta em porta nas cidades de Itajaí e Balneário Camboriú, apresentando sua bagagem cultural.
O sonho de viver exclusivamente da música ainda soava distante. A experiência adquirida em três décadas no interior do estado afastava essa ideia. Pulsava em sua mente a possibilidade de se valer de sua voz e de seu violão para se apresentar em bares, mas junto com algum emprego fixo que lhe garantisse o sustento no final do mês.
Violão e Voz:
A estreia de sua carreira na orla marítima aconteceu em uma churrascaria, cujos proprietários idealizavam incluir música ao vivo. A parceria foi fechada, garantindo apresentações todas as sextas-feiras, sábados e domingos. Paralelamente, foi contratado para trabalhar em um birô de impressões.
No final de abril, precisando cumprir alguns compromissos que haviam ficado pendentes em sua terra natal, regressou a Joaçaba. Quando retornou a Balneário Camboriú, a churrascaria havia encerrado suas atividades. Entretanto, esse curto espaço de tempo foi suficiente para evidenciar as inúmeras oportunidades que existiam em seus incontáveis bares. Foi então que o desejo de viver unicamente de sua arte começou a manifestar-se como algo possível de se tornar real.
Todo dia era dia de colocar o pé na estrada, vasculhar na internet e enviar mensagens. Aos poucos, novos horizontes começaram a surgir.
Lá pela metade de 2023, aproveitando um dia de folga, ele foi assistir a um show de Rodrigo Seixas, de Guaramirim, no Jardim Elétrico, um bar alternativo de Balneário Camboriú. Rodrigo se apresenta com um cover de Raul Seixas. Em 2012, Chimaru e Rodrigo já haviam mantido contato: o cover do Raul iria tocar no oeste, e Rodrigo convidou-o para o acompanhar, mas o evento foi cancelado.
Os músicos que tocam com Rodrigo, e que residem em Piçarras, acabaram tornando-se amigos de Chimaru.
Céu de Ícaro:
Paralelamente, Tiago Wickmann, um amigo caçadorense que mora há anos em Jaraguá do Sul e que acabou abrindo várias portas, convidou-o para fazer parte da Céu de Ícaro como baixista. A terra da Schützenfest, ou Festa dos Atiradores, onde aconteciam os ensaios, fica a apenas uma hora da cidade de Barra Velha, onde Chimaru residia na época. O repertório da banda é composto por rock clássico dos anos 70.
Firedogs:

Um revival dos anos 90 aconteceu quando Chimaru se encontrou com dois amigos joaçabenses que atualmente moram na região: Felipe Ratajenski e Marcelo Souza. Os três foram parceiros na Aunt, formada no final de 1996. A banda foi a primeira da cidade a gravar um CD na época da transição do vinil.
Convidado por Ratajenski, o músico foi assistir ao lançamento da Firedogs, um projeto de músicas autorais em Balneário Camboriú. Além de Felipe e Marcelo, Rodrigo Dorini, conhecido popularmente como Muga, natural de Campos Novos e ex-apresentador na rádio hervalense Liberdade FM, fazia o vocal. Um mês depois, movido por questões pessoais, Muga saiu do projeto e Chimaru entrou em seu lugar.
Plano B:

Influenciado pela amizade formada com Ivan Alessi — o baterista da Plano B, banda que acompanha o Raul Seixas Cover —, Chimaru passou a residir em Piçarras. Em consequência dessa mudança, do estreitamento da amizade com Alessi e da necessidade de um novo baixista no grupo, ele foi convidado a fazer parte.
A Plano B acompanha também a artista Laise Yurie Mukai, cantora cover da Rita Lee e esposa do baterista Ivan Alessi no show La Rita – Tributo Rita Lee.
The Wizards:
Retomando o projeto da Joasabbath, que consistia em um tributo ao Black Sabbath e a Ozzy Osbourne, a Céu de Ícaro está se transfigurando em uma nova banda: The Wizards, com um novo baixista assumindo o lugar de Chimaru. Ele permanecerá somente no vocal.

Chimaru Rock Band:
Chimaru também está em sua banda própria, formada com mais três amigos, e que possui um repertório de rock’n’roll e músicas flashback.
A Nova Realidade:
A crença de que viver só de música era impossível, forjada pela realidade vivida no meio-oeste de Santa Catarina, seguiu viagem junto com o artista joaçabense. Mas, foi sendo aniquilada conforme a nova realidade explodia à sua frente. Incontáveis bares, casas de shows, incorporadoras, pousadas, hotéis, condomínios, eventos corporativos, eventos particulares abrem suas portas para músicos exibirem seus dotes.
Apresentações:
Morando em Piçarras, cidade localizada estrategicamente no centro do litoral norte catarinense, a área de atuação do músico abrange as cidades de Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Brusque, Timbó, Itajaí, Balneário Camboriú, São Bento do Sul, Tijucas e Porto Belo.
Sucesso:
Somando todas as bandas das quais faz parte, seu trabalho solo com violão e voz, e todas as cidades e seus inúmeros locais possíveis de apresentações, o sonho que então parecia impossível se fez realidade.
Durante o ano passado, Chimaru realizou 180 shows, nove vezes mais do que os 20 anuais que costumavam acontecer quando residia em Joaçaba.
Até o final deste ano, sua agenda já está lotada.
Excursão Européia:
A ideia surgiu em uma viagem de férias do guitarrista da Firedogs, o músico Felipe Ratajenski a Portugal. Honorato, um amigo residente em terra lusitana deu a dica, e em parceria com outros conhecidos, articularam uma apresentação da banda em Lisboa, acertando a questão financeira e a logística.
Aproveitando os recursos disponíveis para a viagem e a apresentação em Lisboa, o produtor começou a articular shows em outros locais do continente. Inicialmente, Amsterdã e Londres entraram na rota. No decorrer das negociações, surgiram duas outras cidades em Portugal e mais três na Espanha.
Considerando a logística e os custos, os dois países da Península Ibérica eram mais apropriados do que incluir uma viagem a Londres e Amsterdã.
Foram agendados seis shows no continente europeu. O objetivo era formar currículo para a Firedogs
e apresentá-la no exterior através de shows e lançamentos de músicas.

A Viagem:
Após vários ensaios de preparação, embarcaram com destino ao outro lado do Atlântico. Iniciaram a excursão musical em Madri, seguiram para Sevilha, e depois tocaram na cidade de Múrcia. Todo este trajeto foi realizado de carro. Encerrada as apresentações na Espanha, partiram para Portugal. Com um dia livre, aproveitaram para conhecer Lisboa. Os shows em terras lusitanas iniciaram em Esmoriz, passaram pela cidade do Porto, e encerraram na capital portuguesa, na casa de shows Rota 94, de propriedade do amigo de Felipe, Honorato.
Planos para o Futuro:
“Eu nunca estudei música. Agora, este ano, eu comecei a fazer curso de técnica vocal para aprender a cantar de verdade. Para preservar minha voz e porque meu objetivo para o futuro é me manter cantando em alto nível.
Eu vim para cá para ganhar visibilidade, não para ser só mais um músico. Vim aqui para realmente conhecerem meu trabalho, saberem quem eu sou e chegar em algum lugar com isso.
Então, a aposta com a Firedogs é ganhar essa visibilidade. Assim como estar tocando direto por aí. Graças a Deus, estou ficando conhecido e ganhando espaço por aqui, com a agenda sempre cheia, tocando direto. E o objetivo é este.”
Objetivo Alcançado:
“Então, com isso tudo acontecendo, graças a Deus, estou bem feliz! Tocando direto, todo final de semana. Chega quinta-feira, às vezes eu pego a estrada. Claro, eu volto para casa. Mas, enfim, quinta, sexta, sábado e domingo, toco às vezes duas, três vezes no mesmo dia. É aquela correria, mas é o meu trabalho.”
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